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Sim, sabemos bem que todas as celebridades têm os lugares que quiserem, em todos os desfiles de todas as semanas de moda. Sabemos também que o lugar, na front row (ou primeira fila, como quiserem) é um dado adquirido, daí estarmos tão atentos ás fotos do tumblr (e não só) das front rows das casas de moda internacionais para só chegar à básica informação que a Rihanna ficou perto da Lupita e que mostraram ser amigas (quando  nunca dirigiram a palavra uma à outra).
Assim, se és daquelas pessoas que quer aparecer nas fotos: esta publicação é para ti! - E de repente isto torna-se um autêntico anúncio publicitário.... mas não, não estou a ser pago por isto.


Os preços são variados, mas têm uma particularidade em comum: é só para ricos. Ora muito bem, vejamos o ponto da situação: lugar na primeira fila para Miu Miu por 70.600 euros. Mais, o pacote para Milão (que incluí front row em Fendi, Prada e Giorgio Armani) é feito por licitação, que tem como base os 18.600 euros. E, para finalizar, se quiser sentir o poder de um joguinho à lá licitação, pode concorrer também ao primeiro olhar em Miu Miu, com base em 7500 euros. 
Pode parecer ridículo, mas é a medida que Portugal está a precisar mas não pode aplicar. Isto porque, o dinheiro angariado destas "compras de posição" é todo entregue ao Watermill Centre em Nova Iorque, que o aplica no financiamento do seu programa de arte.


A minha posição quanto a isto não podia ser mais visível: Apoio totalmente visto que, nos últimos anos (optando eu por uma escala larga) os primeiros lugares vieram cada vez mais, a ser destinados a iscos comerciais, ou seja, celebridades que eram os manda chuva na moda das massas. Ao menos, é vendido a pessoas que estão a investir em algo por isso, parte-se do princípio que sejam eloquentes o suficiente para sentar o rabo na fila real.
Não, em Portugal isto não se pode aplicar. Primeiro porque, o pouco dinheiro que há, não é concentrado no desenvolvimento de novas formas de recursos artísticos e culturais - muito pela contrario. E depois porque, as primeiras filas em muitas ocasiões são ocupadas por socialites (cada vez mais) que não sabem distinguir a estética de Hugo Costa do conceptualismo de KLAR. Torna-se difícil seguir um rumo positivo sem ter as pessoas certas nos lugares certos porque, no final, quem vai tratar da informação são os jornalistas, os buyers, os stylists - todos que trabalham na área. Sejamos racionais pelo menos uma vez na vida, e deixemos de corromper uma indústria que pode andar mas nós simplesmente escolhemos não o fazer. Olhos abertos, enquanto é tempo! 

Tiago Miguel Andrade