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Com um pouco (prefiro pensar assim) de atraso mas sempre dentro da oportunidade, eis surge um dos meus TOP3 das marcas que merecem destaque, da apresentação de todas as colecções de menswear de Paris, Londres e Milão. Como não poderia deixar de ser, pedi à nossa Naomi Campbell que ficasse a cargo do julgamento final. Ora então, siga!

ALEXANDER MCQUEEN


A colecção para mim, resumiu-se a: casacos oversize. Este momento era uma daquelas alturas em que dá vontade de ter este mundo e próximo só para andar com um Oversize Mcqueen 2.0. Grafismos e ilusões para dar e vender - por mim tá comprado. A nossa Naomi.... nem fala. Benze-te rapariga.


MOSCHINO


Ok Jeremy, usar uma temática como a globalização já foi suficiente uma vez. A última e primeira vez que aconteceu - chegou.  Agora apenas parece que a Coca-Cola contratou a Moschino para fazer uma remodelação das fardas - apesar de serem boas fardas. Adorei a nossas raparigas - Sara Sampaio e Maria Borges, a representar duas agências portuguesas: Central Models e We Are Models, respectivamente. Foi abrangente em termos de conceito porque se virmos, temos várias temáticas a acontecer ao mesmo tempo, por isso, com tempo vejo o que penso. O melhor? As rastas. E ninguém pode discordar.



GIVENCHY


Tisci... sabes tão bem. Uma casa como a Givenchy não podia apostar o mesmo outra vez, e por "mesmo" refiro - mambis mutantes, mensagens de cariz religioso e rottweilers. Desta vez, o que assombrou a passerele foi a clara inspiração, ainda mais pronunciada, do sportswear e de uma certa rigidez, que fora "esquecida" nas últimas apresentações. Fardas, no seu total, mas de cortes diferenciados. Prints dentro dos neutros. Uma coisa é certa - todos vamos querer ser vacas por uns bons tempos (toda a gente sabe que o print relembra as adoráveis vacas, as verdadeiras). E é isto que acontece quando um designer não tenta seguir o sucesso anterior, mas tenta cria-lo de formas diferentes, dando a possibilidade da marca se expandir em muitas outras direcções. (Na verdade, ainda tenho os olhos a brilhar com a colecção toda).
Quanto à nossa special guest nesta publicação, ela concorda. Ambos estamos contentes por o Ricardo Tisci ter tido esta brilhante colecção.


E a vossa opinião?

Tiago Miguel Andrade

  A palavra Lazaretto (ou lazareto) é um termo que pouco diz à sociedade de hoje em dia - define-se no dicionário como um hospital para leprosos onde os doentes estavam de quarentena. E Jack White não escolheu esse nome em vão para o seu mais recente trabalho. Desde os White Stripes (a sua antiga formação) que Jack tem procurado construir uma identidade própria, dividindo-se entre o passado e o presente. “Lazaretto”, o seu segundo album a solo, mostra-nos a sua visão muito própria do rock, que delicia o ouvido de qualquer simpatizante de White e só nos faz querer viajar mais e mais pelo seu mundo.
  O ponto de partida é “Three Women”, que tem como ingrediente principal uma linha de baixo no ponto, com a guitarra, as teclas, a bateria e a letra a guarnecer da melhor maneira, capaz de colar logo na cabeça do ouvinte o “Lordy Lord!” do refrão. Isto, como já é hábito, sem nunca se esquecer de condimentar tudo com ironia q.b., bem evidente em todo o álbum. Segue-se “Lazaretto”, música que dá o nome ao álbum e primeiro single do mesmo. Um funky-rock dançável, com guitarras aguçadas e um solo de violino que não podia cair melhor, a mostrar a facilidade que White tem nos ritmos mais groovy. As faixas 3 e 6, “Temporary Ground” e “Just One Drink” respectivamente, mostram-nos o seu lado mais country: a primeira mais romântica e a segunda a deixar-nos vontade de abrir as portas do saloon e pedir um whiskey puro.      Entre essas duas, “Would You Fight For My Love” traz-nos todo o dramatismo e teatralidade do rock de White e o peso épico do experimentalismo em “High Ball Stepper” não é para os ouvidos dos mais fracos. Ambas com guitarras distorcidas de levar as mãos à cabeça e vocais heróicos que dão vontade de encher os pulmões e cantar até ficar sem ar, estas duas músicas fazem, na minha opinião, o ponto alto do álbum. “Alone In My Home” traz-nos uma música enganosamente alegre e viva (apercebemo-nos que esse não é o sentimento ao ouvir a letra), e logo a seguir “Entitlement”, sofrida e melancólica, momento em que nos põe a pensar “Oh Jack, vai lá curar essa depressão…”. Mas a verdade é que com esta antes, a música que vem a seguir resulta ainda melhor: “That Black Bat Licorice” torna a trazer-nos um funk muito bem “arockalhado” e a pôr-nos o corpo a dançar. A seguir, White mostra mais uma vez a beleza das composições em “I Think I Found The Culprit”, digna de ser fazer parte de uma banda sonora de um western moderno. “Want and Able” é última música do álbum, curtinha, muito simples e até banal. É Jack a acenar de longe, só para terminar a ser simpático.

Inventivo, versátil e humoristicamente sombrio. “Lazaretto” preenche-nos com a verdadeira essência de Jack White deixa-nos fascinados com a sua persona e todo o trabalho e empenho gigantes. Ele sabe quem é e sabe bem o que nós queremos.

Luísa França